fiteiro - 1ª filial


hai-kai lunático

Man of the Moon - Foot

Se o brasileiro fosse à Lua,

que marca de calçado

deixaria na terra nua?



Escrito por paulo goethe às 06h30
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aviso aos navegantes

Oscarito, aquele que viria a se tornar o maior comediante bufo do teatro e do cinema por mais de três décadas sucessivas, cumpriria toda a minitemporada da revista Calma, Gegê!, considerada relativamente longa para a época (de 27 de fevereiro a 16 de março de 1932, com direito a reprise de 27 a 30 do mesmo mês. E o faria usando todos os recursos herdados pelo circo. Para falar a verdade, a sua figura em cena não negava a sua origem; remetia, diretamente, a um picadeiro: peruca (careca) de palhaço, nariz de palhaço, maquiagem pesada de palhaço, roupa de palhaço, pinta de palhaço até o fim - como cantaria Miltinho, em seu samba de sucesso quase trinta anos depois. Mas o que Oscarito fez foi se defender com as armas que dominava. Naquela época, os diretores ainda não davam muita atenção ao ator ou ao cômico, eram mais diretores do espetáculo em si. Portanto, Oscarito tinha que se virar com o que sabia. Aos poucos, porém, sozinho, e observando muito, ele foi se adaptando ao gênero, do qual viria a se tornar estrela absoluta, especializando-se em tipos populares muito ingênuos, meio atrapalhados, que começam os esquetes sendo enganados por todo mundo e terminam, com súbita esperteza, enganando a todos. PÁGINAS 98 E 99

Flávio Marinho é fã de Oscarito. E esta devoção se esparrama pelo texto de Oscarito - O Riso e O Siso, onde conta a trajetória deste espanhol de família circense que desembarcou no Brasil aos dois anos de idade para se tornar um dos maiores comediantes do país. O livro de 334 páginas dá detalhes de todas as produções de Oscarito no teatro de revista e depois nas chanchadas da Atlântida. Em pinceladas rápidas, traça perfis de artistas como Grande Otelo, Dercy Gonçalves, Eva Todor e Carlos Manga. O Brasil era um país ingênuo. Ou somos até hoje, ao continuarmos não reconhecendo os nossos gênios. A não ser que passe uma ou outra vez no Canal Brasil.



Escrito por paulo goethe às 03h36
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um certo mounsieur rimbaud

Ninguém na varanda do Grand Hôtel naquele dia o descreveria com o "rosto perfeitamente oval de um anjo no exílio", como Verlaine o fez um dia. Eles veem o bigode sério; as mechas de cabelo grisalho num homem ainda jovem; as mãos grandes, calejadas. Veem também, talvez, a cicatriz deixada por um tiro no seu pulso esquerdo. Mas nada perguntam. Seu passado é assunto seu: esta é a lei nessas cidades onde os itinerários se cruzam. (...) Em pé, diante das arcadas de tijolos do Gran Hôtel, tento vê-lo como eles realmente devem tê-lo visto. Realmente, ele não tem nada de especial: um jovem francês maltrapilho, um errante. Taciturno, mas parece bem simpático. E não tem relação alguma com o Rimbaud da Messageries. Ele é um outro Mounsieur Rimbaud. PÁGINA 29

Este é um livro que eu gostaria de ter escrito. Conseguir identificar uma pessoa mesmo depois de décadas, alguém que deliberadamente deixou para trás um passado que poderia ter sido de acomodação artística. Aos 25 anos de idade, Rimbaud deixou a Europa e, durante 11 anos, perambulou entre a Etiópia e o Egito, conduzindo caravanas, traficando armas e explorando territórios. Os seus poucos textos nada tinham de literário. Eram cartas para colegas de comércio, europeus também fincados na quente África muçulmana, ou para a família. Charles Nicholl recupera um pouco do vulto desfocado de Rimbaud neste período em uma prosa elegante e baseada em relatos e documentos recentemente encontrados. E ainda traz algumas imagens, como a da capa, tirada pelo próprio Rimbaud em 1883, quando ele tentou ganhar dinheiro como fotógrafo. O rebelde só retornou ao Velho Mundo para morrer logo depois de ter amputado a perna. Já era uma lenda. "Chega de frases. Enterro os mortos no meu ventre", escreveu ele antes de reinventar o seu destino. Saravá.

  



Escrito por paulo goethe às 06h37
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rádio fiteiro entra no ar

Começou a funcionar a Rádio Fiteiro, graças à interface totalmente amigável do BLIP.fm, uma espécie de Twitter musical. Coloquei inicialmente cinco músicas, mas o acervo irá crescer bastante, com a vantagem apenas de apertar o play, sem a necessidade de fazer nenhum download. Espero que gostem da seleção.

Para ouvir a Rádio Fiteiro: http://blip.fm/radiofiteiro



Escrito por paulo goethe às 12h32
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e por falar em michael jackson...

Em tempos de reportagens especiais, tributos e videoclipes do Rei do Pop, nada como um exemplo da imprensa marrom do início dos anos 90, quando o pessoal da Casseta Popular nem imaginava que iria parar na Globo. Para quem viveu ou tem uma vaga daquela época, esta antologia vale a pena [perceberam o trocadilho?].



Escrito por paulo goethe às 02h22
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a voz do brasil [com ou sem diploma]

Em tempos de discussão da necessidade ou não de diploma de jornalista, o livro de Eugenio Bucci sobre sua gestão à frente da Radiobrás levanta o véu dos bastidores do primeiro governo Lula e, indiretamente, alerta para o risco da ausência de comprometimento com a ética no exercício da profissão. Sem regulamentação, como vai ficar a comunicação dos órgãos públicos?

Aos que acreditam que a liberdade é algo como uma prerrogativa dos profissionais de imprensa, advirto que se trata de um equívoco primário: ela é um penoso dever para o profissional que, ao cumpri-lo, expõe-se. Liberdade não significa impunidade. O dever de exercer a liberdade significa que ele não tem outro caminho a seguir se quiser de fato exercer o ofício que lhe cabe. O dever da liberdade significa o dever de arriscar-se ao erro, de apresentar-se ao exame do público, ao julgamento dos iguais, às sentenças, às condenações. A liberdade não é apenas o primeiro: é também o mais árduo dever da imprensa. E, por fim, o ponto fatal: a liberdade não existe para a prática do elogio; ela existe para incomodar, para olhar a cena com espírito crítico.

Página 226



Escrito por paulo goethe às 11h38
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cuidado com sinopses abobalhadas

A princípio, uma bobagem com molho. Dois irmãos em uma pequena cidade italiana que vivem às turras, na década de 1960, por causa de uma mesma mulher. Quem iria alugar um filme com esta história? Mas Mio Fratello È Figlio Unico, dirigido por Danielle Luchetti em 2007, tem mais sabor do que a sinopse insossa do verso do DVD. Agridoce, traça um panorama do clima político na Itália pouco mais de 20 anos depois do fim da guerra e da derrocada do fascismo. Entre Accio e Manrico, diferenças que o tempo aproxima. Coisa de famiglia.



Escrito por paulo goethe às 22h46
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vida nova para um fiteiro

Depois de bons meses ausente, comunico aos meus fiéis colaboradores a mudança de endereço do meu blog. O motivo foi a falta de espaço para atualizações, principalmente depois que inventei de publicar as fotos da viagem ao Peru das minhas férias de novembro passado.

Já estava na hora de abrir uma filial [a primeira, espero] e voltar a jogar na rede da internet considerações sobre livros, discos, filmes e até uns hai-kais meio caidaços. Fiteiro que se preza deve ter de tudo.

Pra quem quiser conhecer o estoque antigo: http://fiteiro.zip.net



Escrito por paulo goethe às 18h09
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uma viagem do peru [lima]

A bordo do avião que saiu de São Paulo, a primeira visão da Cordilheira dos Andes.

As montanhas não foram barreira para os invasores espanhóis, muito menos agora para as hordas de turistas.

Litoral árido. Lima está próxima. 

Depois de se instalar no simpático bairro de Miraflores, hora de trocar dólar por soles e explorar o centro histórico a bordo de um táxi sem taxímetro. É preciso negociar o preço da corrida antes de entrar no carro. E recusar a primeira oferta.   

Na América Espanhola, a Plaza de Armas é o ponto de partida para visita aos pontos históricos erguidos a partir da chegada dos conquistadores, com seus cachorros e cavalos.

Em Lima, o palácio do governo e a prefeitura dominam o cenário, junto com a catedral. 

Detalhe da arquitetura com suas sacadas de inspiração mourisca. O policiamento é reforçado, apesar do ocaso do Sendero Luminoso.  

A catedral, construída em 1535. 

A porta da catedral. 

A igreja abriga os restos mortais de Francisco Pizarro, o responsável pela partida repentina de muitas almas indígenas. 

Mármore e bronze e um túmulo. 

Outros mortos também descansam na catedral. Religiosos de outras eras. 

Ossuário para turistas.

Todo anjo esconde algo.

Quadro forja transição de autoridade entre os chefes indígenas e os enviados da Espanha. Imagem é tudo.

Nossa Senhora espirra leite no Menino.

O palácio do governo bem protegido. A mudança de guarda só pode ser vista de longe. 

Os singelos pombos enfeitam a entrada do Convento de São Francisco, onde funciona o Museu das Catacumbas. É proibido tirar fotos das galerias subterrâneas lotadas de ossos de antigos peruanos. 

As sacadas dos sobrados, onde as mulheres observavam o movimento das ruas sem serem vistas.

No canto, o passarinho respira o ar poluído do centro.

Igrejas e mais igrejas em Lima. 

Os ônibus que lembram velhos ônibus escolares de filmes norte-americanos. 

O Museu da Inquisição funciona no prédio onde os primeiros legisladores espanhóis davam as ordens na América hispânica. Bonecos mostram todo o julgamento de um perseguido pela igreja.  

Cortejo dos condenados pela Inquisção no local onde hoje fica a Plaza de Armas. 

Figurino de quem tinha que mostrar em público que era um pecador. 

Demonstrações de torturas. Preso pelos pés... 

Ou pelas mãos e cabeça, com direito a chicotadas... 

Levantado pelas costas... 

Garroteado...

Membros esticados...

Ou "afogados", ténica mais amplicada em mulheres. 

Descida aos porões do inferno, onde ficavam os condenados pela igreja. 

Desenho preservado na parede feito por uma vítima da Inquisição.

Poema escrito na masmorra. 

A tradução do poema. 

De volta às ruas, nas proximidades do Museu do Ouro. 

Acervo fica exposto na antiga sede do Banco Central do Peru. 

Destaque em barro de civilizações pré-incas. 

"Representación de una pareja copulando", diz quadro explicativo. 

As peças em ouro ficam guardadas dentro de cofre-forte, com rígida vigilância. 

Evolução das culturas no Peru. 

Sofisticação dourada. 

Peça cerimonial usada para decapitações. 

Colares. 

Máscaras. 

Mantas. 

Braceletes.

Outra igreja.

Interior do museu de cultura popular.  

Peça simpática do acervo.

Sede do aeroclube do Peru tem réplica do monoplano Bleriot XI-I no qual o piloto do país, Jorge Chávez, morreu ao tentar ser o primeiro ao cruzar os Alpes, em setembro de 1910.

Entrada doluxuoso shopping center Larcomar, em Lima, onde o acesso é controlado por seguranças. 

As lojas de frente para o Pacífico.

Anoitecer. 

Ceviche com milho gigantesco. 

Arroz "chifa", reflexo da influência da culinária chinesa entre os peruanos.



Escrito por paulo goethe às 10h21
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uma viagem do peru [cuzco e machu picchu]

O vôo de Lima para Cuzco dura menos que uma hora. Todos os guias de viagem orientam: nas primeiras horas na altitude, o melhor é descansar. Situada a 3,4 mil metros acima do nível do mar, a capital dos incas - umbigo do mundo, no idioma quéchua - tem um centro histórico de tirar o fôlego, mas o soroche cobra seu pedágio. O mal da altitude pode se manifestar de diversas formas, desde a típica dificuldade para respirar até uma crônica dor de cabeça, passando pelo enjôo e ânsia de vômito. Nos hotéis, antes de preencher a ficha de entrada, uma boa xícara de chá de coca. Vista assim do alto, Cuzco até parecia inofensiva. 

Depois de uma noite em que mal se consegue dormir, a parte mais importante: embarcar para Machu Picchu, destino de 100% dos turistas que visitam o Peru. O primeiro trecho é percorrido de ônibus, que passa pelos hotéis antes das 5h. Situada a 97 quilômetros de Cuzco, Ollantaytambo agora é base para as composições da PeruRail, que controla o trecho ferroviário.

Sem dinheiro para a opção mais luxuosa da mesma empresa que administra a Orient Express e sem saco para enfrentar as inúmeras paradas da opção mais barata, o Backpacker, a saída foi entrar no Vistadome, que é coluna do meio e usada pelos viajantes mais sedentários.

Vendedoras na estação antes das 7h. Não há tempo a perder.

O Vistadome se justifica pelas janelas mais amplas.

E pelo lanchinho para quem não tomou café no hotel.

Na ida, a melhor posição é ficar do lado esquerdo do trem, para apreciar a paisagem.

O trem margeia o rio. 

É possível ver que os terraços da época dos incas ainda são cultivados.

Na chegada à estação de Águas Calientes, depois de três horas de trem, toma-se um microônibus para subir até a entrada de Machu Picchu. Como o guia destacou, "veículos produzidos no Brasil" serpenteiam pelas curvas ladeira acima. Para ver uma das maravilhas da humanidade é preciso pagar caro.

A primeira visão do topo do mundo. 

O rio lá embaixo, por onde o trem passou.

O cartão-postal ao vivo. Sensação de déja-vu em tempo real.

Não se sabe ainda o motivo porque Machu Picchu foi abandonada pelos incas um pouco antes da chegada dos espanhóis ao continente. A sorte é que o lugar ficou preservado até o início do século XX.

Existe vida entre as pedras.  

Templos e moradias em perfeito estado de conservação.

O sol forte cobra um descanso.

Pedras arranjadas como um quebra-cabeça.

Um pilão para moer alimentos. Da pedra ao pó.

Terraços para cultivo. 

Sofisticação da arquitetura inca em estado bruto. 

Animais foram utilizados em uma filmagem e depois passaram a fazer parte da paisagem.

Janelas serviam também de observatório.

Ao fundo, a estrada que serpenteia em suas curvas até o topo.

A montanha pode ser escalada.

A pedra que lembra um condor.

À noite, os espelhos d'água ajudavam a decifrar o céu estrelado. 

A última visão antes da partida.

O povoado de Águas Calientes é a base para quem quiser explorar mais Machu Picchu.

Leva esse nome por causa de uma estação de águas termais, onde bêbado não entra.

Mas as piscinas não eram muito convidativas.

Na pracinha, o inca tenta superar a igreja.

Pausa para uma cerveja.

E coragem para encarar o cuy, um dos pratos típicos peruanos. Além do aspecto, carne pouca.

Cachorrinho monta guarda, mas não há clientes. 

O trem chegou. Quase hora de partir. 

Águas Calientes é praticamente a linha do trem.

Outro lanchinho na volta. Os funcionários são rápidos no serviço.

De repente surge o fantasiado.

Artifício para entreter na viagem de volta.

Do banheiro sai outro funcionário, agora para um desfile de trajes de alpaca.

Segura para não cair.

Fim de desfile e fim de linha.

O trecho de ônibus permite ver outras paisagens.

Cartaz anuncia um festival gastronômico à base de cuy. Não pare, motorista.

Tolerância zero nas estradas.

Trabalhadores usam a pouca terra cultivável. 

 

Subindo para Cuzco, a beleza das cidadezinhas nos vales.

Chegada em Cuzco no final da tarde, a tempo de passear na Plaza de Armas.

Belo cenário.

Casario conservado.  

Havia o desfile de uma escola que comemorava 50 anos. Os alunos tentavam mostrar danças típicas.

Festival de cores. 

A apresentadora se esgoelava pedindo palmas.

Fim de desfile, as meninas passaram correndo.

As pedras incas foram usadas como base das construções espanholas.

A cidade é rica em detalhes, como os jardins suspensos nos postes.

A cidade emparedada.

De volta à Plaza de Armas.

O anjo na porta da catedral.

Mais alunas em debandada.

Nativas fiando para os turistas. Desembolsei cinco soles por esta foto. Nem pedi fiado.



Escrito por paulo goethe às 03h48
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uma viagem do peru [jornada de cuzco a puno]

De Cuzco para Puno, à beira do lago Titicaca, a opção mais rápida seria cerca de uma hora de avião, ao custo aproximado de US$ 200. De trem, dez horas de viagem, mas nem perguntei o preço, porque seria muito cansativo, com apenas uma parada. Em ônibus de linha, cinco horas. A melhor opção foi pagar US$ 35 por um lugar no First Class, um ônibus confortável que cobre os 350 quilômetros de distância entre as duas cidades em nove horas, mas com cinco paradas para atrações turísticas e um almoço self-service. Pouco tempo depois da saída de Cuzco, às 7h30, chega-se ao primeiro lugar de visitação, a igreja de Andahuaylillas, considerada a "Capela Sistina das Américas" pela variedade de murais e pinturas em seu interior. É terminantemente proibido tirar fotos, mesmo sem flash, de modo que é preciso acreditar que vale a pena conhecer. É mergulhar um pouco no universo do século XVI, quando os jesuítas queriam conquistar os nativos através da suntuosidade dos templos contruídos em locais sagrados dos incas.

Os animais de pedra guardam a entrada de casa.

Na frente da igreja, uma feirinha para os turistas. Uma lição aprendida na viagem é que vale a pena comprar destes vendedores, melhor do que os atravessadores das cidades maiores. E o preço inicial sempre cai pela metade quando você é convocado para seguir viagem.

Las muñequitas esperam por novas mães.

No caminho, a estátua de Manco Capác, com a bandeira arco-íris que é símbolo da região de Cuzco, não do movimento gay. 

O trem que seguia para Puno. 

Na segunda parada, na cidade de Raqchi, onde uma igrejinha católica não é páreo para uma construção inca.

Trata-se, na verdade, da ruína de um templo dedicado a Wiracocha, o deus supremo dos incas. Foi erguida com tijolos e pedras e mantém intacta a parede principal. 

Homens e mulheres entravam por portas separadas e era um importante ponto de peregrinação na rota de Cuzco.

No local funcionava um espécie de cidade para sacerdotes, que eram servidos em mesa e cama pelas mulheres mais belas. 

A feirinha de Raqchi.

Na saída, a cena bucólica de um menininho e os carneirinhos. 

Os carneirinhos, o menininho e os lobinhos.

De longe, a peruana riu. E eu ganhei a foto mais bela da viagem.

Em Sicuani, antes da parada para o almoço, uma passada na casa-ateliê de um fabricante de jóias em prata. No desembarque, ele saúda os visitantes soprando uma concha. Depois traz capim para as lhamas e alpacas, que estava esfomeadas. Chegada de ônibus é alegria pra elas. E pro dono também.

Os bichinhos pastam para fotografias. No telhado, os tourinhos dedicados a San Isidro, uma tradição em todas as casas da região. Na verdade, a oferenda inicial na época dos incas, para atrair sorte e fartura, era duas lhamas, mas os conquistadores católicos trocaram os animais por touros, que vieram nas grandes embarcações.

O cuy, mais interessante vivo do que no prato. 

Na parada para o almoço, o som de uma banda típica, com CDs e DVDs para os interessados. O repertório é o mesmo de todas os grupos de todas as principais praças das maiores cidades do mundo.

Nova parada em La Raya, o ponto mais alto da jornada, com 4.335 metros acima do nível do mar. É onde o trem permite que os passageiros desçam para ir ao banheiro e apreciar a paisagem, geralmente nesta ordem. Para quem vem de ônibus, são dez minutos para experimentar o vento gelado e tirar fotos como um desesperado.

Paisagem de cartão postal.

Nem precisa dizer que no lugar havia uma feirinha. 

Os tourinhos de San Isidro na janela.

Antes de chegar a Puno, passagem rápida por Pukara, que tem um complexo arqueológico que data de quatro mil anos antes de Cristo. O lugar abriga um museu com peças de culturas de povos que depois foram subjugados pelos incas, alguns dos quais praticavam canibalismo. O único lugar permitido para fotos era no pátio interno, onde existem esculturas de animais sagrados, que representavam os três níveis de mundo: o superior, o inferior e o intermediário.  

A igreja fica bem em frente do acesso à história.

Exemplo de mundo inferior.

A escultura é deliberadamente rústica.

Cena de uma cidade do interior antes da chegada em Puno. 



Escrito por paulo goethe às 03h02
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uma viagem do peru [puno e o lago titicaca]

Situada a 3,8 mil acima do nível do mar, Puno é base peruana para os passeios turísticos no lago Titicaca, o lago navegável mais alto do mundo. A cidade em si não tem atrativos, é um amontoado de casas sem acabamento que despeja seus esgotos diretamente no que era um local sagrado para os incas e outros povos que viveram nestas bandas.

Subir na vida tem seus efeitos colaterais. O "soroche" cobrou de novo a sua parte e nem o chá de folhas de coca espanta o enjôo e o efeito de sentir que leva "três tijolos" na cabeça.

A Plaza de Armas de Puno é minúscula em relação às de Lima e de Cuzco, mas é cenário para fotos de um casal de noivos.

Andar com fé eu vou, que a polícia não pode falhar.

Cruz enfeitada fora da igreja. Explicações mais abaixo, em Arequipa.

A banda escolar salesiana toca na peatonal, a rua de pedestres onde se concentram as lojas e os restaurantes de Puno. 

Na beira do lago Titicaca, pedalinhos.

O passeio de barco até às ilhas flutuantes dos uros custou 30 soles por pessoa, pagando no hotel. Vindo por conta própria custaria um terço, porque a entrada pode ser comprada no cais por 5 soles. Transporte de táxi, mototáxi ou bicitáxi deveria variar entre 3 e 4 soles, não mais que isso.

O barco nos levou para uma ilha pequena, com pouco mais de seis casas e umas 15 almas. As mulheres que estão nesta foto sumiram depois.

O primeiro ato é contar como se constrói uma ilha com um junco que nasce no Titicaca.

Eis a tal da totora, que chega até a ser alimento dos uros, segundo eles próprios dizem.

O sorridente José, presidente da ilha, mostra como se faz as casas e as embarcações apresentando miniaturas. Não existe mais nenhum descendente direto dos uros, povo que se refugiou no lago para tentar escapar da dominação dos incas e depois dos espanhóis. Apesar de dizer que vive no lugar, o sorridente José não convenceu. Satisfazer os turistas faz parte do trabalho. 

Os barcos menores seriam usados para pescar e coletar ovos de pássaros. 

Do alto da torre de sinalização, avistam-se painéis solares entre as palhas. Alguém deve tomar conta do lugar. Segundo o sorridente José, todo o material à venda é confeccionado pelas próprias mulheres, mas uma almofada oferecida a 30 soles era vendida no comércio de Puno por 10 soles. Exatamente com o mesmo material e o mesmo bordado.

Uma das mulheres resolveu aparecer na despedida. Os turistas são convidados a dar um passeio no grande barco da ilha, mediante a contribuição de 10 soles.

A criancinha vê a leva do dia partir.

Carranca do Titicaca.

O passeio de barco consiste em ir a outra ilha onde existe uma feira de artesanato maior.

Todos os barcos de outras ilhas confluem para ela.

Será um pássaro? 

Será uma embarcação?

Mais totora para novas ilhas.

Turistas são muitos e bem-vindos.

Fim de trabalho para as meninas enfeitadas.

Difícil se equilibrar.

Recuerdos de Toranipata.

De volta a Puno, a opção de entrar no ônibus-museu e conhecer 43 espécies de pássaros que vivem no lago.

Em Puno pululam estas bicicletas transformadas em táxis. Há também motocicletas que fazem o mesmo serviço, com cabine e tudo.

Por mais 30 soles, outra opção de turismo em Puno é sair da cidade para conhecer as ruínas de Sillustrani, a 40 quilômetros de distância.

O local, à beira de um lago menor, foi escolhidos por povos pré-incas para erguer urnas funerárias. Os incas acabaram aperfeiçoando a prática e o negócio cresceu.

O lugar é uma calma só.

Com os incas, as pedras deixaram de ser apenas amontoadas e passaram a ser cortadas e ajustadas.

Há muitos resquícios no lugar.

Algumas torres estão sendo restauradas.

Exemplos de urnas pré-incas.

Depois de Sillustrani, fim da aventura em Puno. Uma hora de vôo e desembarque em Arequipa.



Escrito por paulo goethe às 04h24
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uma viagem do peru [arequipa - primeira jornada]

Arequipa é chamada de "la ciudad blanca", referência à sua arquitetura. Situada a 80 quilômetros do litoral e na base da cordilheira dos Andes, a 2,4 mil metros acima do nível do mar, é um oásis para quem foi atingido pelo "soroche". E vale cada minuto de permanência. Na Plaza da Armas, a catedral é referência.

Uma das boas opções para conhecer as principais atrações turísticas de Arequipa é se aventurar em um dos ônibus que oferecem roteiros de até quatro horas pelo entorno da cidade.Este da Bustour cobrava 35 soles, cerca de R$ 30 por pessoa, pelo maior trajeto. E ainda dava bombons, água mineral e uma viseira horrorosa de plástico para quem ficava na parte sem cobertura.

Cara a cara.

O centro histórico de Arequipa tem fachadas imponentes.

Dentro da própria cidade há muitas áreas de cultivo, aproveitando o sistema de irrigação da época dos incas. Garantia de alimentos frescos no mercado.

Na primeira parada, em um mirante, a visão do vulcão Misti, apenas adormecido.

O lugar era um belo cenário para um programa de culinária, mas o cozinheiro não conseguia acender o fogo.

Maravilhas peruanas: quinua, papaya arequipeña, uma espécie de maracujá e folhas de coca.

Segunda parada, em uma igreja cuja praça passava por obras.

Altar folheado a ouro.

Estes vasos enormes são um dos símbolos de Arequipa. Era onde se preservavam líquidos como a chicha, bebida fermentada de milho, de origem indígena, ou o vinho, herança espanhola.

Uma horda de turistas.

Portal da cidade.

O anjo.

As costas do anjo.

Símbolos.

Continuação do portal.

Ruazinha ao lado.

A cruz inca. Para "alfabetizar" os índios sobre o martírio de Jesus, os religiosos incrementaram a cruz com detalhes contidos na narrativa.

A Casa do Fundador, praticamente destruída após um dos vários terremotos que assombraram Arequipa, foi reerguida por um grupo de arquitetos dentro dos padrões do século XVI para se tornar um hotel de luxo. Mas virou um museu interessante sobre como viviam os espanhóis que vieram dominar a região.

O detalhe faz a diferença.

Pintura da escola cusquenha, onde a moldura também faz parte da obra.

Mobiliário de uma época mais recente.

Deixaram a tampa do sanitário de madeira levantada.

A casa foi ocupada por chilenos durante guerra com país vizinho. Soldados trocaram ofensas através de desenhos.

Como se dormia na época. Apesar do calor, dentro da casa tudo era fresco.

Um mapa do mundo como era conhecido.

A armadura monta guarda.

Espelho incrementado.

Lugar amplo.

A senhora espera interessados pelo seu gavião.

Outra parada interessante é no único moinho dos tempos coloniais ainda em funcionamento. Os cactos dão as boas-vindas.

Muito verde do lado de fora. Lugar para piqueniques.

O moinho roda sem parar.

Porque a água desviada de um rio movimenta a roda.

A padroeira de Arequipa.

Nossa Senhora e o menino Jesus com chapéus da região.

Na volta para a Plaza de Armas, um dinossauro desgarrado.

E uma Kola Escocesa para aliviar a sede antes do almoço. Tem gosto de xarope para a tosse.



Escrito por paulo goethe às 03h51
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uma viagem do peru [arequipa - segunda jornada]

  

Esta porta leva a uma verdadeira cidade murada, habitada por mais de 800 mulheres a partir do final do século XVI. É o Monastério Santa Catalina, que teve a maior parte de suas dependências abertas ao público a partir dos anos 1970. Pelo menos 30 religiosas se abrigam numa parte reservada, mas com o direito de ter contato com outras pessoas.

Por essa portinha giratória, as famílias nobres depositavam alimentos, jogos de porcelana e outros objetos para uso da noviça. E ainda tinham que anualmente pagar uma fortuna para a manutenção da candidata a freira. Por tradição, a primeira filha herdaria o dote e poderia se casar. A segunda viraria religiosa e a terceira deveria ficar com os pais para cuidá-los na velhice. A mesma coisa com os filhos homens, sendo que o terceiro deveria ser militar. Os restantes ficariam livres para decidirem seus destinos, mas sem dinheiro.

 

No lado direito, a tal da portinha giratória. A grade de madeira era por onde se podia conversar com a família, mas sempre com uma freira mais velha de lado, para impedir a privacidade.

 O pátio da ala das noviças. Elas permaneceriam por quatro anos até serem admitidas como freiras.

 

Para não dizer mais nada.

A visita a um lugar tão extenso é mais proveitosa com a ajuda de um guia. Sai, em média, por 15 soles por pessoa, o equivalente a R$ 10.

 

Representação de um quarto de uma noviça. A cama ficava sob um arco para o caso de um terremoto.

Pinturas circundavam o pátio com trechos de orações. Serviam também para alfabetizar com o auxílio de imagens.

 

São 51 quadros, mas...

 

...pularam o número 19 e ninguém percebeu ao longo dos séculos. Ou ninguém se arriscou a comentar.

Lugar onde se velavam as religiosas mortas, que eram enterradas em cemitério próprio.

 As falecidas eram pintadas em quadros, a maioria com os olhos fechados.

 Móveis adornados.

 O anjo guerreiro.

 

No detalhe, a peleja.

As freiras podiam viver isoladas ou em duplas e trios, mas sempre tendo parentesco entre elas. O trabalho pesado era feito por servas, até quatro por freira, que também perdiam contato com o exterior e dormiam no chão. Para mim, as verdadeiras santas da história.

No século XVIII, as servas foram dispensadas e o trabalho passou a ser comunitário. Uma cozinha maior passou a ser usada.

 

Detalhe do filtro de pedra.

 Uma das ruas internas do monastério.

 

A pintura original de época era o banco.

 

Passou a ter outras cores, como o ocre, para designar as partes que eram de uso comum.

 

 A lavanderia, que ainda funciona.

 

Jesus, Maria, José.

 

Uma fonte para acalmar os ânimos.

O poço que hoje recebe moedinhas dos visitantes. O desejo de muitas, na época, deveria ser um só.

 

Espaço para visitar com calma e tempo.

 

O guarda de trânsito na entrada no monastério é figuraça.

 

Na Plaza de Armas, gravação de uma campanha de trânsito com um sósia de Kiko, da Turma do Chaves.

Até que parecia. A meninada esperando para pedir autógrafo.

 

Pausa para uma cerveja local.

 E o almoço: pedacinhos fritos de porco e batata.

E rocotos rellenos, que parecem pimentões recheados, mas é pimenta mesmo, em tamanho gigante. A Arequipeña salvou.

Neste lugar repousa a múmia de Juanita, uma criança inca de aproximadamente 13 anos de idade que foi encontrada a seis mil metros de altura, perfeitamente conservada. De família nobre, ela sabia que seria morta.

Não é permitido fazer fotos. Vale uma visita para conhecer os artefatos que eram depositados junto aos corpos sacrificados, porque mais três múmias estão preservadas.

Lugar para se comprar artesanato.

O Misti visto do aeroporto. Adiós, Arequipa.



Escrito por paulo goethe às 08h23
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uma viagem do peru [última etapa: lima]

 

De volta a Lima, um dia para compras e últimos passeios antes do retorno. Na praça principal de Miraflores, exposição de cartuns e "desfile" ao ar livre.

 Gatos em atitude suspeita.

 

Barranco é o bairro boêmio, a 4 soles de Miraflores. Muitos bares e casas de show. Mas durante o dia parece de família. É o lugar onde se concentram as Peñas, lugares de shows com ritmos peruanos. A mais famosa, a Del Carajo [é isso mesmo] só abria no final de semana.

Parece que acordam tarde por aqui.

A Ponte Dos Suspiros de Barranco.

 

E o Auto Da Compadecida de Ariano cruzou os Andes.

 

A música peruana vive o embate entre os folcloristas e os bregas, que levam a melhor na TV. Impagável o programa La Noche Del 11, com uma hora de bandas que se destacam mais pelos trajes e coreografias.

 

As bandas masculinas são formadas por mais de dez elementos, com pelo menos quatro vocalistas, todos fardados.

 

O tema das músicas é pedindo sempre a volta.

As bandas femininas valorizam mais os atributos físicos das componentes.

 

Pelo menos uma delas canta. 

Fim de jornada no pacífico.



Escrito por paulo goethe às 07h26
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