fiteiro - 1ª filial


uma viagem do peru [cuzco e machu picchu]

O vôo de Lima para Cuzco dura menos que uma hora. Todos os guias de viagem orientam: nas primeiras horas na altitude, o melhor é descansar. Situada a 3,4 mil metros acima do nível do mar, a capital dos incas - umbigo do mundo, no idioma quéchua - tem um centro histórico de tirar o fôlego, mas o soroche cobra seu pedágio. O mal da altitude pode se manifestar de diversas formas, desde a típica dificuldade para respirar até uma crônica dor de cabeça, passando pelo enjôo e ânsia de vômito. Nos hotéis, antes de preencher a ficha de entrada, uma boa xícara de chá de coca. Vista assim do alto, Cuzco até parecia inofensiva. 

Depois de uma noite em que mal se consegue dormir, a parte mais importante: embarcar para Machu Picchu, destino de 100% dos turistas que visitam o Peru. O primeiro trecho é percorrido de ônibus, que passa pelos hotéis antes das 5h. Situada a 97 quilômetros de Cuzco, Ollantaytambo agora é base para as composições da PeruRail, que controla o trecho ferroviário.

Sem dinheiro para a opção mais luxuosa da mesma empresa que administra a Orient Express e sem saco para enfrentar as inúmeras paradas da opção mais barata, o Backpacker, a saída foi entrar no Vistadome, que é coluna do meio e usada pelos viajantes mais sedentários.

Vendedoras na estação antes das 7h. Não há tempo a perder.

O Vistadome se justifica pelas janelas mais amplas.

E pelo lanchinho para quem não tomou café no hotel.

Na ida, a melhor posição é ficar do lado esquerdo do trem, para apreciar a paisagem.

O trem margeia o rio. 

É possível ver que os terraços da época dos incas ainda são cultivados.

Na chegada à estação de Águas Calientes, depois de três horas de trem, toma-se um microônibus para subir até a entrada de Machu Picchu. Como o guia destacou, "veículos produzidos no Brasil" serpenteiam pelas curvas ladeira acima. Para ver uma das maravilhas da humanidade é preciso pagar caro.

A primeira visão do topo do mundo. 

O rio lá embaixo, por onde o trem passou.

O cartão-postal ao vivo. Sensação de déja-vu em tempo real.

Não se sabe ainda o motivo porque Machu Picchu foi abandonada pelos incas um pouco antes da chegada dos espanhóis ao continente. A sorte é que o lugar ficou preservado até o início do século XX.

Existe vida entre as pedras.  

Templos e moradias em perfeito estado de conservação.

O sol forte cobra um descanso.

Pedras arranjadas como um quebra-cabeça.

Um pilão para moer alimentos. Da pedra ao pó.

Terraços para cultivo. 

Sofisticação da arquitetura inca em estado bruto. 

Animais foram utilizados em uma filmagem e depois passaram a fazer parte da paisagem.

Janelas serviam também de observatório.

Ao fundo, a estrada que serpenteia em suas curvas até o topo.

A montanha pode ser escalada.

A pedra que lembra um condor.

À noite, os espelhos d'água ajudavam a decifrar o céu estrelado. 

A última visão antes da partida.

O povoado de Águas Calientes é a base para quem quiser explorar mais Machu Picchu.

Leva esse nome por causa de uma estação de águas termais, onde bêbado não entra.

Mas as piscinas não eram muito convidativas.

Na pracinha, o inca tenta superar a igreja.

Pausa para uma cerveja.

E coragem para encarar o cuy, um dos pratos típicos peruanos. Além do aspecto, carne pouca.

Cachorrinho monta guarda, mas não há clientes. 

O trem chegou. Quase hora de partir. 

Águas Calientes é praticamente a linha do trem.

Outro lanchinho na volta. Os funcionários são rápidos no serviço.

De repente surge o fantasiado.

Artifício para entreter na viagem de volta.

Do banheiro sai outro funcionário, agora para um desfile de trajes de alpaca.

Segura para não cair.

Fim de desfile e fim de linha.

O trecho de ônibus permite ver outras paisagens.

Cartaz anuncia um festival gastronômico à base de cuy. Não pare, motorista.

Tolerância zero nas estradas.

Trabalhadores usam a pouca terra cultivável. 

 

Subindo para Cuzco, a beleza das cidadezinhas nos vales.

Chegada em Cuzco no final da tarde, a tempo de passear na Plaza de Armas.

Belo cenário.

Casario conservado.  

Havia o desfile de uma escola que comemorava 50 anos. Os alunos tentavam mostrar danças típicas.

Festival de cores. 

A apresentadora se esgoelava pedindo palmas.

Fim de desfile, as meninas passaram correndo.

As pedras incas foram usadas como base das construções espanholas.

A cidade é rica em detalhes, como os jardins suspensos nos postes.

A cidade emparedada.

De volta à Plaza de Armas.

O anjo na porta da catedral.

Mais alunas em debandada.

Nativas fiando para os turistas. Desembolsei cinco soles por esta foto. Nem pedi fiado.



Escrito por paulo goethe às 03h48
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uma viagem do peru [jornada de cuzco a puno]

De Cuzco para Puno, à beira do lago Titicaca, a opção mais rápida seria cerca de uma hora de avião, ao custo aproximado de US$ 200. De trem, dez horas de viagem, mas nem perguntei o preço, porque seria muito cansativo, com apenas uma parada. Em ônibus de linha, cinco horas. A melhor opção foi pagar US$ 35 por um lugar no First Class, um ônibus confortável que cobre os 350 quilômetros de distância entre as duas cidades em nove horas, mas com cinco paradas para atrações turísticas e um almoço self-service. Pouco tempo depois da saída de Cuzco, às 7h30, chega-se ao primeiro lugar de visitação, a igreja de Andahuaylillas, considerada a "Capela Sistina das Américas" pela variedade de murais e pinturas em seu interior. É terminantemente proibido tirar fotos, mesmo sem flash, de modo que é preciso acreditar que vale a pena conhecer. É mergulhar um pouco no universo do século XVI, quando os jesuítas queriam conquistar os nativos através da suntuosidade dos templos contruídos em locais sagrados dos incas.

Os animais de pedra guardam a entrada de casa.

Na frente da igreja, uma feirinha para os turistas. Uma lição aprendida na viagem é que vale a pena comprar destes vendedores, melhor do que os atravessadores das cidades maiores. E o preço inicial sempre cai pela metade quando você é convocado para seguir viagem.

Las muñequitas esperam por novas mães.

No caminho, a estátua de Manco Capác, com a bandeira arco-íris que é símbolo da região de Cuzco, não do movimento gay. 

O trem que seguia para Puno. 

Na segunda parada, na cidade de Raqchi, onde uma igrejinha católica não é páreo para uma construção inca.

Trata-se, na verdade, da ruína de um templo dedicado a Wiracocha, o deus supremo dos incas. Foi erguida com tijolos e pedras e mantém intacta a parede principal. 

Homens e mulheres entravam por portas separadas e era um importante ponto de peregrinação na rota de Cuzco.

No local funcionava um espécie de cidade para sacerdotes, que eram servidos em mesa e cama pelas mulheres mais belas. 

A feirinha de Raqchi.

Na saída, a cena bucólica de um menininho e os carneirinhos. 

Os carneirinhos, o menininho e os lobinhos.

De longe, a peruana riu. E eu ganhei a foto mais bela da viagem.

Em Sicuani, antes da parada para o almoço, uma passada na casa-ateliê de um fabricante de jóias em prata. No desembarque, ele saúda os visitantes soprando uma concha. Depois traz capim para as lhamas e alpacas, que estava esfomeadas. Chegada de ônibus é alegria pra elas. E pro dono também.

Os bichinhos pastam para fotografias. No telhado, os tourinhos dedicados a San Isidro, uma tradição em todas as casas da região. Na verdade, a oferenda inicial na época dos incas, para atrair sorte e fartura, era duas lhamas, mas os conquistadores católicos trocaram os animais por touros, que vieram nas grandes embarcações.

O cuy, mais interessante vivo do que no prato. 

Na parada para o almoço, o som de uma banda típica, com CDs e DVDs para os interessados. O repertório é o mesmo de todas os grupos de todas as principais praças das maiores cidades do mundo.

Nova parada em La Raya, o ponto mais alto da jornada, com 4.335 metros acima do nível do mar. É onde o trem permite que os passageiros desçam para ir ao banheiro e apreciar a paisagem, geralmente nesta ordem. Para quem vem de ônibus, são dez minutos para experimentar o vento gelado e tirar fotos como um desesperado.

Paisagem de cartão postal.

Nem precisa dizer que no lugar havia uma feirinha. 

Os tourinhos de San Isidro na janela.

Antes de chegar a Puno, passagem rápida por Pukara, que tem um complexo arqueológico que data de quatro mil anos antes de Cristo. O lugar abriga um museu com peças de culturas de povos que depois foram subjugados pelos incas, alguns dos quais praticavam canibalismo. O único lugar permitido para fotos era no pátio interno, onde existem esculturas de animais sagrados, que representavam os três níveis de mundo: o superior, o inferior e o intermediário.  

A igreja fica bem em frente do acesso à história.

Exemplo de mundo inferior.

A escultura é deliberadamente rústica.

Cena de uma cidade do interior antes da chegada em Puno. 



Escrito por paulo goethe às 03h02
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