um certo mounsieur rimbaud

Ninguém na varanda do Grand Hôtel naquele dia o descreveria com o "rosto perfeitamente oval de um anjo no exílio", como Verlaine o fez um dia. Eles veem o bigode sério; as mechas de cabelo grisalho num homem ainda jovem; as mãos grandes, calejadas. Veem também, talvez, a cicatriz deixada por um tiro no seu pulso esquerdo. Mas nada perguntam. Seu passado é assunto seu: esta é a lei nessas cidades onde os itinerários se cruzam. (...) Em pé, diante das arcadas de tijolos do Gran Hôtel, tento vê-lo como eles realmente devem tê-lo visto. Realmente, ele não tem nada de especial: um jovem francês maltrapilho, um errante. Taciturno, mas parece bem simpático. E não tem relação alguma com o Rimbaud da Messageries. Ele é um outro Mounsieur Rimbaud. PÁGINA 29 Este é um livro que eu gostaria de ter escrito. Conseguir identificar uma pessoa mesmo depois de décadas, alguém que deliberadamente deixou para trás um passado que poderia ter sido de acomodação artística. Aos 25 anos de idade, Rimbaud deixou a Europa e, durante 11 anos, perambulou entre a Etiópia e o Egito, conduzindo caravanas, traficando armas e explorando territórios. Os seus poucos textos nada tinham de literário. Eram cartas para colegas de comércio, europeus também fincados na quente África muçulmana, ou para a família. Charles Nicholl recupera um pouco do vulto desfocado de Rimbaud neste período em uma prosa elegante e baseada em relatos e documentos recentemente encontrados. E ainda traz algumas imagens, como a da capa, tirada pelo próprio Rimbaud em 1883, quando ele tentou ganhar dinheiro como fotógrafo. O rebelde só retornou ao Velho Mundo para morrer logo depois de ter amputado a perna. Já era uma lenda. "Chega de frases. Enterro os mortos no meu ventre", escreveu ele antes de reinventar o seu destino. Saravá.
Escrito por paulo goethe às 06h37
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rádio fiteiro entra no ar

Começou a funcionar a Rádio Fiteiro, graças à interface totalmente amigável do BLIP.fm, uma espécie de Twitter musical. Coloquei inicialmente cinco músicas, mas o acervo irá crescer bastante, com a vantagem apenas de apertar o play, sem a necessidade de fazer nenhum download. Espero que gostem da seleção. 
Para ouvir a Rádio Fiteiro: http://blip.fm/radiofiteiro
Escrito por paulo goethe às 12h32
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